Decidi inaugurar este blog com um texto que escrevi em 1993, quase vinte anos atrás.
Me lembro daquele dia como se fosse hoje. Era um domingo, 5 de dezembro, um pouco depois das 11 horas da manhã. Eu havia acabado de sair da igreja e havia decidido tomar um café na esquina da Paulista com a Carlos Sampaio. Inconformado com a realidade do pecado em minha vida e com a minha evidente incapacidade de vencê-lo, me pus a refletir e a escrever algumas linhas. Assim nasceu o texto que segue abaixo.
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A obediência à Palavra de Deus é o caminho para a verdadeira felicidade, mas é também um caminho de pedras e de dores. Por natureza, somos escravos do pecado. O mal que habita em nós nos induz a atitudes e ações que nos levam à destruição e à ruína.
Nesse sentido, somos suicidas compulsivos e inconscientes, pois desconhecemos as origens profundas e ocultas de nossa personalidade e vontade carnais. Somos néscios espirituais, verdadeiramente loucos, em constante busca de um precipício aonde possamos nos atirar.
Somos como dementes que se divertem com uma faca afiada, mutilando-se aos poucos, desfigurando-se, retalhando-se e ao mesmo tempo perguntando-se de onde vem a dor aguda que aos poucos nos mata. Tal é o horror e a maldade do pecado.
Satanás é o astuto diretor por trás da grande peça da destruição humana! Ele sabe bem como manipular o pecado dentro do ser humano e ele sabe como enganar e iludir aqueles que ele conduz à destruição, fazendo-os crer que trilham caminhos de vida e autorrealização.
Os loucos precisam de tratamento drástico, principalmente quando colocam suas vidas em risco. Não se lhes pode considerar ou respeitar a vontade e, se for necessário, deve-se amarrá-los, imobilizá-los. Certamente essa tarefa não será agradável nem ao médico nem ao doente, mas o médico se alegra ante a possibilidade de curar o doente.
Essa é uma boa ilustração de como Deus age conosco. Ele precisa nos colocar em uma “camisa de força” até que recobremos plenamente nossas faculdades espirituais. Temos de ser escravos da palavra e da vontade de Deus para alcançar a vida eterna, e isso muitas vezes dói. Dói agir contra nossos sentimentos e contra nossa vontade. Dói viver contra nossos impulsos e desejos que brotam das profundezas do nosso ser. Dói seguir e cumprir os desígnios de Deus, os quais tantas vezes não entendemos e repudiamos. Dói, dói e dói. Entretanto, o Espírito de Cristo nos anima e conforta e nos compele a segui-lo.
Hoje a lei nos fere, mas será uma escravidão passageira, pois um dia nos livraremos desse aio para, como adultos e sãos, seguir a vontade de Deus com inteireza de coração e de compreensão, naquele dia em que a nossa redenção se completar.
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Relendo esse texto hoje, me alegro em olhar para trás e perceber como a graça de Deus em Cristo operou abundantemente em minha vida durante todos esses anos por meio da disciplina e da correção amorosa de Deus. Sei que preciso continuar refletindo sobre a força do pecado em minha natureza caída, dependendo a cada dia do poder que flui do Calvário para permanecer de pé. Um dia de cada vez.
"Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! Desse modo, com a mente eu mesmo sirvo à lei de Deus, mas com a carne, à lei do pecado. Portanto, agora já não há condenação alguma para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte. Pois, o que para a lei era impossível, visto que se achava fraca por causa da carne, Deus o fez na carne, condenando o pecado e enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne e como sacrifício pelo pecado, para que a justa exigência da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito". Romanos 7:25;8:1-4 RA Almeida Séc XXI.